1º de Maio: comemorar o quê?

 

O Dia Internacional do Trabalho apresenta-se como um momento oportuno para uma profunda reflexão sobre a situação do trabalhador brasileiro, cada vez mais precária. Para se ter uma idéia, não há ninguém que não tenha um parente, amigo ou vizinho às voltas com o desemprego. Só na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de acordo com pesquisa do DIEESE, existem cerca de 390 mil pessoas sem uma vaga no mercado de trabalho. Mas este não é o único problema. A ele somam-se a queda nos valores dos salários e o crescimento da informalidade.

Uma outra pesquisa, feita pelo Instituto Datafolha, revela que entre 1996 e 2001 o percentual de brasileiros com 16 anos ou mais que se declararam sem ocupação passou de 4% para 11%. O emprego formal sofreu perda significativa. Os brasileiros que vivem de bicos ou de trabalhos esporádicos saltaram de 13% para 16%. Paralelamente, o percentual de assalariados com carteira assinada caiu de 22% para 16%. Além de subtrair direitos dos trabalhadores, a informalidade paga pior. A maior parte das pessoas inseridas no mercado informal não recebe 13º, férias e hora-extra remuneradas, e nem tem acesso a benefícios indiretos, como vale-transporte, vale-refeição e cesta básica. Ainda segundo o levantamento, a maioria dos trabalhadores brasileiros, 56%, ganha até dois salários mínimos por mês.  Desses, cerca da metade recebe até um salário mínimo.

Diante deste quadro adverso, o apontamento de alternativas é responsabilidade do Governo, mas também da sociedade organizada, especialmente os sindicatos. O SEC, de sua parte, tem se empenhado, a cada dia mais, para defender, nas negociações com os patrões, os direitos dos trabalhadores comerciários, bem como melhores condições de trabalho e reajustes salariais justos. Em outra frente, o Sindicato investe, também, em programas de qualificação profissional e recolocação dos demitidos no mercado de trabalho.

Um pouco de história

Mas afinal por que comemoramos o Dia do Trabalhador em Primeiro de Maio? A origem da comemoração tem várias explicações. Conforme artigo publicado na Internet pelo historiador Angelo Priori, da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, a  tradição desse dia pode ser explicada por duas versões: a das comemorações festivas e a das lutas por conquistas sociais.

A comemoração remonta à época anterior ao nascimento de Cristo, quando os romanos dedicavam o dia de Primeiro de Maio às deusas Flora e Maia, em agradecimento à abundância das flores e dos cereais e até mesmo os escravos eram liberados do trabalho. Já na Idade Média, os camponeses realizavam, nesta data, grandes festas, em agradecimento à farta colheita.  

Historicamente, entretanto, o “primeiro” dia de maio é comemorado como Dia Internacional do Trabalho, desde 1890, ano em que, pela primeira vez, trabalhadores da Europa e dos Estados Unidos fizeram manifestações organizadas, reivindicando a redução da jornada de trabalho. No Brasil, as pesquisas apontam a primeira comemoração do “Dia do Trabalho”, em 1895, com um manifesto organizado em Santos. A decretação oficial do feriado nacional, entretanto, só foi feita em 1925, pelo presidente da República, Arthur Bernardes.

Abril/2002