Apagão Social - maior conseqüência do racionamento
A maior preocupação do SEC, neste momento, é com
o apagão social; o apagão da lata vazia. Não há como racionar
a alimentação, um bem do qual a nossa população já está carente. Ainda assim, uma
grande parte dos empresários está usando a economia de energia, como pretexto para as
demissões e a disseminação da miséria. Para se ter idéia, temos em mãos nosso
demonstrativo de homologações, do qual constam quase 10 mil demissões, só este ano;
sem contar os acertos referentes a menos de um ano de serviço, que não são feitos pelo
Sindicato. E, para ser bem sincero, se esse elevado número não é tão diferente do ano
passado, quando não havia racionamento, será que a causa é mesmo o apagão?
A nossa orientação para o trabalhador é
de que ele não aceite o argumento de demissão, em função do racionamento, porque essa
é uma justificativa no mínimo questionável. A economia de energia não deve, jamais,
ser a única explicação para a redução da atividade econômica no País. Ela é
resultante, antes de tudo, de políticas públicas e econômicas que empurram o Brasil
para a recessão e o seu povo para uma condição de penúria.
Que o mesmo conselho sirva, também, para
os patrões. Eles devem ter claro que, ao demitir, estão mandando embora a maior
luz de suas empresas: seus empregados. Ainda fazendo trocadilhos, eles estão
apagando suas empresas, com a dispensa dos maiores geradores da sua riqueza.
Em contrapartida, apontamos uma imensa
controvérsia: novamente, volta à tona a discussão sobre a abertura de um centro
comercial 24 horas. Desta vez, na região da Savassi. Ora, que economia de energia é essa
que, ao mesmo tempo em que se discute o fechamento das lojas às segundas ou
sextas-feiras, se sugere um funcionamento ininterrupto do comércio, por outro lado?
Aliás, nós do Sindicato somos contra
este fechamento em dias que estão entre os melhores para vendas. E, além do mais, fechar
durante um dia e abrir 24 horas? Que absurdo é esse? Digamos que parece uma psicose!
Aonde há demanda e segurança para manter o comércio aberto até de madrugada, quer na
Savassi, ou em qualquer outro centro comercial em Belo Horizonte? Cadê o salário para isso e a geração de
empregos?
O que registramos é que os empresários
estão dispensando. Ainda assim, eles insistem em abrir o comércio aos domingos, dia em
que, comprovadamente, as vendas são fraquíssimas, ao contrário das segundas ou
sextas-feiras. Realmente, não há lógica nenhuma nessas propostas. Que se feche o
comércio, então, aos domingos, dias de descanso e lazer para todos os cidadãos.
Essa é a proposta do Sindicato que, além
de contribuir para a economia de energia, evitaria uma das maiores explorações dos
trabalhadores comerciários, já registrada na história do setor lojista, em Belo
Horizonte e Região. E fazemos este discurso, sem medo de errar. Seremos sempre
favoráveis a qualquer medida que resulte em mais empregos. Mas, do contrário, o que
queremos são explicações para tantas demissões.
Nossa proposta é iniciar uma nova fase no Sindicato, com a gestão da atual diretoria, que vai de julho de 2001 ao mesmo período de 2005. E, sob essas perspectivas, reforçamos aqui nossa luta contra as demissões e o propósito de renovar as esperanças do comerciário. Reafirmando que o SEC é sempre pautado pelos direitos e reivindicações da categoria, não mediremos esforços para, apesar de todas as dificuldades no País, obtermos novas conquistas e benefícios para esses trabalhadores.
Julho/2001 |