Ataque aos comerciários

O governo Temer tem sido marcado por encontros e decisões prejudiciais aos trabalhadores e a Nação fora de sua agenda. Mas foi em plena luz do dia, as 11 horas da manhã de 16 de agosto, que ele oficializou mais um ataque aos trabalhadores decretando a atividade dos supermercados como essencial e determinando sua abertura aos domingos e feriados em todo o país.

O governo chama medidas como essas de “agenda positiva”, para agradar aos grandes empresários. Isso ficou expresso no agradecimento de um dono de supermercado do Espírito Santo, em comentário publicado no blog gazetaonline.com.br no dia 6 de agosto último em que ele declarou: “Junto com a reforma trabalhista e a nova lei da terceirização, não há mais desculpas para os supermercados capixabas ficarem fechados aos domingos”.

E é exatamente isso que o governo está fazendo com os trabalhadores brasileiros em geral e com os trabalhadores no comércio em particular.

A reforma trabalhista retira direitos históricos da categoria e a terceirização é o mais alto nível de precarização do trabalho, pois desprotege ainda mais os trabalhadores. Agora, o governo, por meio de decreto, em atitude totalmente antidemocrática e ilegítima, pretende acabar com o direito dos trabalhadores e trabalhadoras no comércio de desfrutar de descanso, convívio familiar, vida espiritual.

Os comerciários são uma das maiores, senão a maior categoria do país. Trabalhamos dia e noite fazendo girar bilhões de reais contribuindo para o consumo da população. Nosso trabalho sustenta direta e indiretamente centenas de milhões de famílias brasileiras, desde os produtores até os consumidores finais.

A assinatura desse decreto é um grande ataque aos comerciários porque ataca suas famílias, ataca sua saúde física e mental.

Foi para cometer decretos absurdos como esse que o governo aprovou a “reforma” trabalhista, enfraquecendo as leis que protegiam o trabalhador. Foi por isso que primeiramente por decreto e depois de forma embutida na “reforma” trabalhista foram impostas as terceirizações.

As atividades realmente essenciais para o bem da Nação, como saúde pública de qualidade, educação pública de qualidade, transporte público de qualidade, são negligenciados e sofrem cortes brutais do governo. Vejam a situação do SUS, a situação das filas nos hospitais. A situação das escolas públicas, do transporte. É um verdadeiro desrespeito isso que está ocorrendo.

E por que decreta a atividade nos supermercados como “essencial”? Apenas para atender ao desejo dos patrões que visam lucrar ainda mais.

A “agenda positiva” do governo é completamente negativa aos trabalhadores. Ela fala de “flexibilização” das negociações entre empregados e patrões, mas isso tem se comprovado na prática, serve para os patrões impor as mais duras condições de trabalho.

Em seu discurso após a assinatura do decreto, Temer disse que vê um otimismo muito grande da população e que existe é um discurso pessimista no país. Mas como se pode ficar otimista em um país em que deputados investigados impedem uma investigação de uma denúncia grave contra o presidente em exercício, em que o valor do salário mínimo antes anunciado foi reduzido, em que a reforma trabalhista retira direitos dos trabalhadores e que a Previdência Pública é alvo de próximos ataques?
Só pode existir otimismo em um país em que os trabalhadores tenham direitos e a população tenha segurança de um futuro melhor e se sinta respeitada e valorizada.

Essencial é o direito dos trabalhadores

Nós, comerciários, somos uma grande categoria e temos muito orgulho de ser uma força que move a economia do país.

Mas o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região não concorda, não aceita e lutará com todas as forças contra a imposição da atividade dos comércios aos domingos e feriados.

Há muitos anos a luta contra a abertura do comércio aos domingos é uma bandeira de nosso sindicato e todos os anos travamos verdadeiras batalhas para que o patronato cumpra o que determina a Convenção Coletiva de Trabalho sobre as folgas, horas-extras, e ainda assim muitas vezes há patrões que desrespeitam a CCT e são alvo de ações do Sindicato para que cumpram a lei. Esse decreto só serve aos patrões e não aos trabalhadores, e contra ele lutaremos.