O Brasil dá esperança

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, foi, sem dúvida alguma, uma conquista também do trabalhador brasileiro, um espetáculo histórico de cidadania. Lula, um operário nordestino, que saiu das bases populares, consegue chegar à presidência do Brasil com a maior votação já obtida por um candidato em toda a história do País - mais de 52 milhões de votos.

Não temos dúvidas de que aqueles que votaram em Lula estão acreditando em outro país, a partir de janeiro de 2003. Nós, representantes de entidades classistas esperamos que, a partir de agora, os trabalhadores tenham os seus direitos básicos assegurados. Também acreditamos na construção de um País mais justo, solidário e soberano. Lula tem dito que vai priorizar o social em seu governo e, neste sentido, uma de suas primeiras ações na presidência será o combate à fome.

Vale aqui lembrar que eleger os nossos representantes políticos, mais do que um direito, é um exercício de cidadania. Mas o nosso dever enquanto cidadãos não termina com o voto que depositamos nas urnas. Finda a eleição, é nossa obrigação, agora, acompanhar e cobrar de todos aqueles que ajudamos a eleger os compromissos feitos em campanha, seja ele do partido “A” ou “B”.

O Brasil anda “meio que de cabeça para baixo”, exigindo, de nossas autoridades, políticas públicas sérias e urgentes, comprometidas com o bem estar da população. As desigualdades sociais são gritantes. Só para se ter uma idéia, cerca de 14 milhões de pessoas estão desempregadas. Dos que trabalham, 24,4% ganham no máximo um salário mínimo por mês; 27,5% até dois salários mínimos e 13,6% até três salários mínimos. Em contrapartida, apenas 2,6% ganham acima de 20 mínimos mensais. E há mais de um milhão de crianças de 12 a 14 anos trabalhando para ajudar no sustento da família, sendo que muitas cumprem jornada semanal de até 49 horas. 20% dos brasileiros mais ricos embolsam 64,1% da renda nacional, enquanto os 20% mais pobres ficam com a migalha de 2,2%.

De acordo com dados oficiais, entre 60 países do mundo, o Brasil é o terceiro em assassinatos, ficando atrás da Colômbia e de Porto Rico. Em 2000, morreram assassinados 45 mil 919 brasileiros. Cerca de 1/3 da população com mais de 10 anos de idade é analfabeta funcional, pois não completou quatro anos de estudo.

Esses números mostram, portanto, que há muito por se fazer para que possamos transformar em real a nossa democracia formal. Para que isso aconteça, entretanto, a sociedade civil precisa estar permanentemente mobilizada e as cobranças devem ser feitas, não apenas ao presidente da República ou ao governador do Estado, mas também aos deputados estaduais, federais e senadores, a quem cabe a tarefa de elaborar leis e projetos que atendam aos anseios sociais.

Portanto, você que ajudou a eleger, no último pleito, os nossos representantes, coloque em prática esse seu direito de cidadão: cobre, grite, esperneie se for preciso. Somente assim iremos garantir condições para o Brasil mudar - para melhor!.

Novembro/2002