Causos de Sindicato
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Numa manhã de julho de 1994, celebrava-se a primeira reunião da diretoria eleita com larga margem de aprovação dos associados à chapa União e Trabalho. Tratava-se de uma chapa de consenso, resultante da junção de duas concorrentes ao pleito e, como esperado, havia algumas restrições e divergências de opinião. O presidente iria estabelecer as funções de cada um naquela que seria a sua segunda gestão. Entretanto, apesar da ansiedade, a reunião fluiu com espontaneidade e bons pensamentos nortearam os posicionamentos de todos. |
| No decorrer da reunião, que deveria ser fechada, entra alguém na sala, com os jornais do dia. Entre eles, o Estado de Minas, que tinha a seguinte manchete: FUNCIONÁRIO DE PEIXARIA CONTINUA PRESO. Foi o bastante para que o foco das atenções desviasse e mudasse a pauta das discussões. O trabalhador de uma peixaria, mais exatamente um simples repositor de mercadorias, estava preso há um ano e quatro meses na Penitenciária de Ribeirão das Neves, simplesmente porque havia sido flagrado em uma fiscalização bipartite, trocando os cartazes de preços. Com a alegação de que estava sendo burlada a tabela estabelecida, os fiscais prenderam o trabalhador. A indignação tomou conta dos diretores, sendo dois deles designados para verificarem in loco a situação do trabalhador e tomarem todas as providências possíveis, a fim de libertá-lo. Segundo a reportagem, desde a prisão, o trabalhador aguardava a ação da advogada que acompanhava o processo, para que fosse libertado. Deduzimos que ocorria um descaso total e foi unânime a decisão de que o Sindicato deveria socorrer o rapaz, de imediato. Os diretores rapidamente reuniram subsídios documentais, a fim de iniciar seus trabalhos. No Fórum, levantaram o relato do processo. Dali, partiram para a Secretaria de Segurança Pública e foram informados de que o processo corria na décima terceira vara, presidido por uma Juíza substituta. Iniciou-se, então, uma verdadeira peregrinação que levou um dia inteiro, até que os sindicalistas conseguiram solicitar uma audiência com a Juíza. Mais um tempo de espera e um dos diretores entrou no gabinete sendo recebido pela Juíza, imaginando qual seria o caminho mais ágil para obter o alvará de soltura do trabalhador. Logo de início, esclareceu que não era advogado e sim diretor do SEC; e como representante da categoria, era seu dever tentar reverter a situação do rapaz. Tratava-se, não só de uma agressão à cidadania, mas de uma grande injustiça com um trabalhador cujo único crime fora o de cumprir ordens do patrão. Finalizou seus argumentos com uma pergunta: Qual havia sido a punição sofrida pela empresa?. Obviamente, nenhuma. Após ouvir as veementes alegações do diretor, a Juíza localizou o processo entre as várias pilhas de documentos existentes na sala. Analisou-o e, com segurança, decidiu: a Lei não permite a saída de documentos desta sala em mãos de pessoas não credenciadas. Mas fique tranqüilo que, em no máximo 48 horas, o alvará de soltura estará nas mãos do diretor do presídio. Foi um alívio. Os sindicalistas deixaram a sala ansiosos por dar a boa notícia à família do trabalhador e aos demais diretores. Alguns minutos mais tarde, a Juíza lia um
bilhete deixado sobre sua mesa. Agradecemos
penhoradamente por acreditar em nós. Sinceramente, não sabemos o que dizer, mas
transferimos à senhora a pergunta que nos foi feita: São vocês que vão trazer o
meu pai hoje? Com sua sensibilidade, a senhora garantiu nossa resposta ao garoto. Exposição feita por um diretor
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Agosto/2002 |