Mulheres cegetistas mobilizadas

O Seminário Nacional das  Mulheres Cegetistas, realizado em Belo Horizonte, entre os dias 26 e 29 de novembro de 2001, foi altamente positivo. A avaliação é da secretária nacional de Políticas Sociais da CGT, Maria Lúcia Dias. Os quatro dias de debates e reflexões permitiram traçar um panorama sobre a situação e o papel da mulher trabalhadora no país.

De acordo com Maria Lúcia, nos últimos tempos o sexo feminino conseguiu ampliar sua participação no movimento sindical, ocupando cargos e postos importantes nas centrais, federações e sindicatos. Por outro lado, ela afirma que é preciso avançar muito no que diz respeito ao mercado de trabalho, melhorando o nível salarial e a qualificação profissional das trabalhadoras. Outro ponto levantado é a necessidade de que direitos e conquistas sejam respeitados e cumpridos, como a instalação de creches nas empresas para as mães que não têm onde deixar os filhos.

Ao final  do seminário foi divulgada a “Carta de Belo Horizonte”, onde as participantes se manifestaram veementemente contra a flexibilização da CLT. Para Maria Lúcia Dias, as mulheres já são as mais prejudicadas no mercado de trabalho e as mudanças vêm piorar ainda mais a situação. Ela considera um absurdo, por exemplo, mexer na licença maternidade. O documento foi encaminhado ao governo, Congresso Nacional, órgãos públicos e prefeituras, onde a CGT está organizada.

As mulheres cegetistas também tiraram um calendário de ações para 2002 e o ponto prioritário é a mobilização da sociedade em defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores de forma geral.

 

Ampliando a participação

 O comando nacional da CGT conta, atualmente, com 19 mulheres ocupando cargos de direção, cumprindo, assim, a cota de 30% reservada para o sexo feminino no último congresso da Confederação Geral dos Trabalhadores. Duas mineiras têm desempenhado papel de destaque: a própria Maria Lúcia e a nossa companheira Marli das Mercês de Freitas, diretora de Homologação do SEC. Na CGT nacional, ela ocupa o cargo de diretora-adjunta da área jurídica.

Na avaliação de Marli, as mulheres sabem trabalhar,  vão a luta e podem tranqüilamente ultrapassar a cota dos 30%. Para a diretora, o seminário realizado na capital mineira permitiu reunir muitas idéias boas. O próximo passo, agora, é colocar em prática o que ficou estabelecido no papel. É transformar em realidade os sonhos acumulados durante os anos.

Segundo Marli, quando a mulher descobrir que tem talento e potencial, vai participar mais dos movimentos sindicais e da vida política do país e, conseqüentemente, defender mais seus direitos.

 

CGT avalia ações

Aproveitando o Seminário das Mulheres Cegetistas, a Executiva Nacional da CGT também se reuniu em Belo Horizonte, no último dia do evento, para fazer uma avaliação de sua atuação ao longo do ano.

O presidente nacional da Confederação, Antônio Carlos dos Reis, o Salim, entende que a CGT teve um papel fundamental na defesa do trabalhador brasileiro, como por exemplo, na campanha contra o projeto do governo que flexibiliza a CLT, mas está consciente de que é preciso intensificar ainda mais as lutas para garantir direitos e atrair novas conquistas.

Salim lamenta a atitude do governo em relação à CLT e afirma que, se aprovada pelo Congresso, a flexibilização será derrotada na prática, porque os sindicatos não vão admitir que novas perdas sejam impostas aos trabalhadores.

Ressalta que engana quem pensa que o movimento sindical brasileiro está dividido e afirma que, nos episódios envolvendo a CLT, as diversas centrais deram uma demonstração de unidade. O presidente da CGT defende que esta união continue cada vez mais, na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

Dezembro/2001