Última chance

Desde o momento em que o governo FHC, através do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, anunciou o projeto de flexibilização da CLT, começou a nossa incansável luta.

Sempre fomos contrários a essa proposta absurda, que usurpa dos trabalhadores direitos sagrados, tais como carteira assinada, 13º salário, hora-extra remunerada, licença-maternidade, dentre muitos outros.

Fomos às ruas levantar bandeira contra a flexibilização, conversar com os trabalhadores, a fim de conscientizá-los das reais intenções do governo. Unimo-nos a outras centrais sindicais para, juntos, fortalecermos nossa luta.

Estivemos em Brasília, acompanhando o trâmite do projeto na Câmara Federal, batemos de porta em porta, tentando convencer os deputados desta grande injustiça. Infelizmente, não conseguimos o apoio da grande maioria. A extinção da CLT passou pela aprovação dos deputados.

Agora, o projeto será apreciado pelos senadores. Se passar pelo crivo do Senado, não haverá mais nada a fazer. Ao pé da letra, podemos dizer que, nós trabalhadores, seremos jogados à sarjeta. Isso porque não teremos mais a CLT para resguardar nossos direitos.

Patrões e empregados terão que sentar à mesa, frente a frente, em situação de igualdade, para definir as questões em pauta. Tudo isso é muito bonito de se falar. De fato, gostaríamos que assim fosse. No entanto, em todos esses mais de 40 anos que temos de luta sindical, jamais assistimos uma cena dessas. Por isso, não acreditamos nessa mudança de comportamento, de uma hora para outra.

Os patrões sempre sentaram à mesa de negociações com o propósito de tirar direitos dos trabalhadores, reduzir salários e aumentar a carga horária da jornada de trabalho. Por razões como essas é que não podemos concordar com o presidente da República e seus ministros, quando os mesmos dizem que, agora, com este projeto, a situação vai ser outra. Entendemos que a CLT ficará fragilizada em seus propósitos.

Para nós, flexibilizar a CLT é um retrocesso. É o mesmo que colocar o trabalhador vendado e algemado no “pau-de-arara” e, de outro lado, o carrasco patrão com o chicote nas mãos. Se os senadores seguirem o exemplo dos deputados, estaremos, certamente, de volta às agruras...aos horríveis tempos da escravidão.

Diante dessa possibilidade reforçamos: não nos resta outra alternativa, senão a nossa união em torno da manutenção da CLT. Comerciário, participe das atividades programadas no calendário de luta em defesa dos direitos do trabalhador.

Junte-se a nós, levante sua bandeira contra a flexibilização dos direitos dos trabalhadores, combata com coragem e determinação esse governo neoliberal e seus projetos mirabolantes, enfim, diga NÃO a FHC. Caso contrário, não teremos outra chance. Estaremos todos perdidos e com o pires nas mãos.

Março/2002