Comércio espera dias melhores em 2002

O ano de 2001 não foi dos melhores para o comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Embora os dados ainda não tenham sido fechados, a expectativa é de que o ano encerre com uma taxa negativa  entre 1,5% e 2%. A previsão é do economista Márcio Lana, da Federação do Comércio de Minas Gerais. O recuo é significativo, se comparado ao ano de 2000, quando o setor apresentou um crescimento de 4%.

Segundo Márcio Lana, vários fatores contribuíram para o desempenho negativo, como a crise na Argentina e o racionamento de energia elétrica, sendo que o declínio começou a ser verificado a partir de março.

O economista comenta que a recuperação detectada no mês de dezembro, com as festas de Natal e Final de Ano, foi sazonal e não conseguiu reverter a queda registrada ao longo de 2001. “A reação foi muito específica. Aumentou o volume físico de vendas, mas não o faturamento. Ou seja, vendeu-se mais produtos baratos”, explica.

 

Para 2002, Lana avalia que, se não ocorrer nenhum acontecimento de maior relevância, a tendência é de uma melhoria no comércio, mesmo que de forma lenta e gradual. “Esperamos fechar o ano fora do vermelho ou com uma taxa positiva entre 1% e 1,5%”, afirma.

Apesar do desempenho negativo no ano de 2001, o economista acredita que não houve um impacto muito grande na dispensa de mão de obra. “Eu costumo dizer que comércio é uma caixa d’água. Da mesma forma que entra, sai. Há uma relativa estabilidade em termos de homologações e de admissões”, enfatiza.

De acordo com Márcio Lana, o comércio, em função do próprio dinamismo, ainda consegue manter um certo equilíbrio na questão do emprego, ao contrário de outros segmentos, como a indústria. “Em alguns setores você não tem nem a perda do emprego, mas a eliminação da função”, conclui o economista.

Janeiro/2002