Pesquisa mostra realidade do setor de comércio

Um diagnóstico do setor

Que a situação dos trabalhadores brasileiros é hoje delicada, todos sabem. Mas, afinal, como anda o mercado de trabalho para os comerciários? Para responder a esta pergunta, confira um levantamento exclusivo do Dieese. O economista Carlos Wagner Machado apresenta um quadro comparativo do mercado de trabalho no comércio em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Ele toma como base as estatísticas de 2001 e de 1996, primeiro ano da Pesquisa de Emprego, realizada pelo Dieese e a Fundação João Pinheiro.

 

Emprego e desemprego

Um dado surpreendente: o número de desempregados do comércio é superior ao de empregados. Em 1996, a taxa de desempregados oriundos do comércio, em Belo Horizonte e Região Metropolitana, era de 19,3% do total de trabalhadores sem emprego. Em 2001, o índice permaneceu alto: 18,5%, ou 322 mil 218 desempregados demitidos do comércio. Enquanto isso, o setor emprega 15,1%, que somam 263 mil trabalhadores. Machado afirma que o índice elevado de desempregados se deve também à grande rotatividade, que é característica do setor. A boa notícia, segundo o economista, é que, ao contrário de outros setores da economia, que têm tido retração, o nível de emprego no comércio se mantém estável, com o mesmo percentual em 96 e 2001.

 

Menos patrões e mais assalariados

 Outra realidade é que diminuíram os autônomos e empregadores, aumentando o número de trabalhadores assalariados. Em 96, os empregados somavam 60,8% dos que ganhavam seu sustento no comércio. Já em 2001, eles representavam 64,1%, enquanto os patrões somavam apenas 8,3% e os autônomos 25,1%. De acordo com o economista, esta redução de empregadores é justificada pela crise no país, o fechamento de empresas no setor e a compra das empresas por grandes grupos econômicos.

 

Aumentam as carteiras assinadas

Esta é outra boa notícia para o comerciário, apontada pelo levantamento do Dieese: o índice de carteiras assinadas subiu. Se, em 1996, 78% dos assalariados tinham carteira assinada, em 2001 o percentual foi de 81%. Este dado é importante, porque demonstra um aumento do emprego formal no setor e, como conseqüência, uma maior garantia dos direitos trabalhistas.

 

Queda salarial

Assim como em todos os outros setores, também no comércio a queda dos salários foi significativa. Englobando empregadores, autônomos e empregados, em 1996, o rendimento médio mensal no comércio era de R$738 e em 2001 chegou a R$559, queda de 24%. Quando se fala apenas em comerciários assalariados com carteira assinada, a situação é ainda mais crítica. Em 1996, eles ganhavam, em média, R$603. Em 2001, o salário médio já havia caído para R$485. Já os comerciários sem carteira assinada tiveram redução de R$379 para R$328. A queda do rendimento dos autônomos foi de R$694 para R$504; o equivalente a 27%.

 

Jornada de trabalho

Um dado preocupante, segundo Carlos Wagner Machado, é que, apesar da redução do nível salarial, o trabalhador do comércio é o que tem a jornada de trabalho mais extensa, entre todos os setores. A jornada legal no Brasil é de 44 horas semanais, mas, em 2001, mais de 58% dos comerciários trabalharam acima deste limite, sendo que a média no comércio foi de 48 horas.

 

Dados norteiam a luta

O objetivo do SEC com este levantamento é esclarecer a categoria sobre a real situação do setor e dar subsídios para que o trabalhador possa avaliar suas possibilidades e opções. Mas, além disso, o Sindicato estará tomando estes dados como parâmetro para nortear suas ações, em prol da categoria.

Em alguns pontos, a luta já rendeu resultados e, sem dúvida, com a união dos comerciários, será possível conquistar muitas outras vitórias, apesar da desfavorável conjuntura nacional.

Maio/2002