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Comerciários são empurrados para o subemprego
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Eles são milhões. Fazem bicos,
vendem pequenos artigos nos sinais, são camelôs ou empregadas domésticas e diaristas.
É o exército de trabalhadores que atuam no mercado informal ou nos chamados
subempregos. Levantamento recente do IBGE mostrou que quase metade da população dos
grandes centros do País já trabalha sem salário fixo e carteira assinada. O número de trabalhadores nesta situação já é superior a 23 milhões; e a diretora de Assuntos Jurídicos do SEC, Marly das Mercês de Freitas, chama a atenção para o fato de que os ex-comerciários respondem por uma grande faixa desta estatística, sendo a categoria, uma das mais afetadas pelo fantasma do desemprego. |
Para se ter uma idéia, de 1992 até julho
desse ano, só em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o SEC registrou quase 135 mil
demissões de comerciários. No ano de 2000, esse número foi de 12.175 e, este ano, já
chega a 8.002 demissões. No último mês de julho, o Sindicato fez 1.123 homologações. E vale lembrar que todos esses números
são referentes apenas às demissões homologadas no Sindicato. Sem contar aquelas que
correspondem a menos de um ano de serviço, são feitas pelo Ministério ou a Justiça do
Trabalho e podem configurar até mais que o dobro dessas estatísticas. Para a diretora, esse quadro catastrófico
só poderá ser revertido, através de um governo mais justo, que priorize menos os
interesses do capital estrangeiro e desenvolva uma política de combate à recessão, com
um programa de incentivo à geração de emprego e renda. Ela também defende, como
alternativa para a criação de novos postos de trabalho, a redução da carga horária,
de 44 para 40 horas semanais, mas sem a diminuição de salários. Marly das Mercês ressalta que, enquanto
as políticas governamentais não mudam, cabe aos Sindicatos buscar todas as vias
possíveis para respaldar a categoria, frente a essa situação de penúria. Neste
sentido, o SEC tem estado sempre ao lado dos demitidos. Não só fornecendo toda a
assistência jurídica, mas também trabalhando pela recolocação no mercado de trabalho
e buscando investir na requalificação profissional destes trabalhadores, a fim de que
possam encontrar outras alternativas de sobrevivência. O que é lamentável é que o Brasil esteja, simplesmente, desprezando uma mão de obra qualificada e que, durante décadas, foi fundamental para o crescimento do País. Essa é, sem dúvida, a pior conseqüência de uma política econômica injusta, conclui a diretora, com indignação. |
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Julho de 2001 |