O "Fantasma" do desemprego

O Sindicato dos  Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana homologou, nos últimos oito anos, nada menos que 105 mil demissões. Somente entre janeiro e abril de 2002, o SEC registrou 4 mil homologações.

Os números preocupam e assustam a diretora jurídica da entidade, Marly das Mercês de Freitas, para quem o contigente de desempregados, em 2002, facilmente irá ultrapassar as 13 mil homologações registradas no ano passado.

Ela ressalta que os dados referem-se apenas aos profissionais que passam pelo SEC e não englobam as rescisões de contratos efetuadas nas empresas, relativas aos funcionários com menos de um ano de casa. Nem, tampouco, os processos que tramitam na Justiça do Trabalho, cujo volume também é muito alto.

 

NÃO SE DEIXE EXPLORAR

A diretora concorda que a situação econômica do País, marcada pela recessão e pela elevada carga tributária, aliada à proliferação e à concorrência paralela livre, têm penalizado muito o setor varejista. Por tabela, os comerciários dormem e acordam com o pesadelo da demissão. Entretanto, ela chama a atenção para o fato de muitas empresas estarem se aproveitando dessa situação para explorar ainda mais o trabalhador. “Há comerciários que trabalham mais de 10 horas por dia, sem o direito sequer de sair para almoçar, e não ganham hora-extra. É um absurdo”, diz.

Volta e meia o SEC recebe reclamações de associados que passam anos e anos sem tirar férias. A grande maioria não reclama, por medo de perder o emprego.

Marly ressalta que tudo tem limites e que não se pode abrir mão de direitos, sob pena de o comerciário se tornar um escravo do patrão.

É preciso denunciar e exigir que as regras sejam respeitadas. E o Sindicato existe para isso, proteger e defender seus associados.

Portanto, denuncie!

Agosto/2002