Pelos direitos dos trabalhadores

Já viraram rotina no Brasil, nos últimos tempos, prognósticos sobre o comportamento do comércio no período de Natal e festas de final ano e as previsões sempre apontam para um cenário negativo. Recessão, queda nas vendas e aumento do desemprego se tornarem palavras de ordem. Em 2001, não está sendo diferente, sobretudo em função dos atentados nos Estados Unidos e a crise na Argentina, com as conseqüentes altas do dólar e dos juros, que geraram uma nova onda de incertezas sobre os rumos da economia brasileira.

Reconhecemos a existência do problema e não somos insensíveis a ele. Entretanto, devemos salientar que, em anos anteriores, da mesma forma, tivemos situações desfavoráveis na economia, com estimativas de uma grande retração no consumo. As crises asiática e do México são apenas alguns exemplos. Por várias vezes, nosso país foi apontado como “a bola da vez” , mas o brasileiro saiu às compras, o comércio reagiu e os resultados foram surpreendentes.

Estamos fazendo esta análise para alertar os trabalhadores sobre a atuação de alguns donos de estabelecimentos que, a pretexto da  crise, aproveitam para especular, explorar o trabalhador e burlar a legislação. Com o argumento de que é preciso reduzir custos, as empresas vêm lançando mão de um mecanismo que tem sido utilizado de forma cada vez mais crescente: a contratação de mão de obra temporária.

O SEC vê este mecanismo com reservas, porque o comerciário, além de não ter nenhum vínculo empregatício com a empresa,  também deixa de ter acesso a direitos consagrados pela Constituição. E o trabalhador, envolvido e sugestionado pelo clima de pessimismo e pelo fantasma do desemprego, acaba se submetendo a condições precárias de trabalho. Este tipo de exploração da mão de obra deve ser condenado.

O SEC, está atento e pronto para agir em defesa dos companheiros e companheiras. Não se pode permitir que, a pretexto da crise e aproveitando-se da fragilidade dos trabalhadores no atual momento, estas empresas hajam de má fé. Espera-se que a economia tome novos rumos e vamos empenhar todos os nossos esforços para que o comerciário tenha o lugar que merece no mercado de trabalho, com todos os seus direitos garantidos e respeitados.

Novembro/2001