As turbulências da economia

Uma expressão tem dominado, ultimamente, os noticiários de rádios, jornais, TVs e revistas do País: o Risco Brasil. Ora o risco sobe, ora cai, deixando a economia em alvoroço. Nos últimos meses, o Risco Brasil tem se mantido em patamares elevados, afugentando investidores, fazendo as bolsas de valores caírem e o dólar subir em níveis estratosféricos.

As conseqüências são imediatas: redução no nível de atividade econômica, retração na produção, aumento da dívida pública brasileira (já que grande parte da dívida é externa, portanto, vinculada ao dólar). Automaticamente, reduzem-se os investimentos nas áreas sociais e as possibilidades de criação de novos postos de trabalho, agravando ainda mais o quadro de desemprego.

Mas, o que vem a ser o Risco Brasil? “Risco Brasil é a avaliação que as empresas fazem da capacidade que o País teria em cumprir seus acordos”, explica a presidente do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais, Dirlene Marques. Se o risco anda em alta, significa que os investidores não confiam que o governo brasileiro possa honrar seus compromissos.

Muitos atribuem as turbulências da economia ao processo eleitoral, já que os candidatos não estariam deixando claro a forma como pretendem conduzir o País, se eleitos. Dirlene Marques contesta tal argumento. Ela entende que o Brasil está falido há muito tempo e a vulnerabilidade da economia se deve ao modelo de política econômica adotada nos últimos anos. “É essa fragilidade que afugenta os investidores. A eleição é apenas um bode expiatório. Os condutores da política econômica não aceitam que o modelo fracassou e jogam a responsabilidade nos outros”, critica a economista.

Para se ter uma idéia, 40% da dívida brasileira é vinculada ao dólar. Com as oscilações da moeda americana, a dívida chegou ao patamar de U$ 800 bilhões, considerada altíssima pela sindicalista. Para tentar honrar seus credores, constantemente o governo brasileiro recorre a novos empréstimos no exterior, a juros elevados, fazendo com que o endividamento do País aumente cada vez mais. O último, no valor de U$ 30 bilhões, foi fechado recentemente com o FMI. Torna-se, portanto, uma bola de neve. O pior é que, para tentar pagar pelo menos parte desta dívida, o governo retira dinheiro de áreas sociais.

Importante destacar que,  com o processo de desnacionalização, de abertura da economia ao capital estrangeiro e com a venda de estatais, as grandes empresas do Brasil, privadas ou públicas, são totalmente ou em parte internacionalizadas. Isso significa que os lucros aqui auferidos também são internacionalizados, ou seja,  enviados para fora do País. Este é outro agravante.

Na avaliação de Dirlene Marques, para reverter este quadro será necessário um rompimento radical com o atual modelo de política econômica. “Ou o país opta em ficar do lado do capital internacional ou do lado do desenvolvimento econômico interno”, pondera. A decisão, evidentemente, caberá ao próximo presidente da República, já que o atual considera que tem agido de forma correta e não dá mostras de que vá mudar os rumos da economia.

Setembro/2002