Comerciários Mineiros perdem seu líder estadual

No dia 19 de fevereiro de 2003 os comerciários mineiros perderam o sindicalista Messias de Paula Castro, presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Congêneres de Minas Gerais, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e, também, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Barbacena. O Sr. Messias, como era carinhosamente chamado, foi um líder sindical nato, solidário, preocupado sobretudo com a unidade dos comerciários mineiros e com a representatividade e competência sindical de suas lideranças.

Não havia, em seu coração e em sua mente, espaços para ódio. Ironias, sim. E muitas. Sempre, no entanto, dirigidas aos poderosos e nunca aos mais humildes. Teve a coragem de chamar o ex-presidente da República de "maior inimigo dos trabalhadores em toda a história brasileira", em texto devidamente assinado. Por outro lado tinha sempre uma palavra ou um gesto de apoio aos dirigentes sindicais e trabalhadores que liderava, por mais humildes que fossem.

Foi fundador, tanto do Sindicato de Barbacena como da Federação de Minas Gerais. Ocupou, na Federação, diversos cargos e encargos. Ao assumir a Presidência manteve sua atitude simples e cordial. Detalhista, queria todas as atividades federativas desenvolvidas no mais alto nível de perfeição. "Os comerciários merecem o máximo, seja em salários, seja em direitos sociais, seja em serviços prestados por suas entidades representativas", era seu lema do dia-a-dia. E não só falava. Praticava. Em sua administração a Federação sempre foi enaltecida pela excelência de seu trabalho. Até eventuais adversários sabiam de sua preocupação e tinham certeza de que o combate, se necessário, seria ético e respeitoso.

Intransigente defensor do não-trabalho dos comerciários aos domingos, revoltava-se com o descumprimento da Lei e com o abuso que sofriam os comerciários nas mãos de maus empregadores. E procurava municiar - com as armas jurídicas e da propaganda - os sindicatos filiados que quisessem realmente lutar contra esse abuso.

Na Federação, assim como em seu Sindicato de Barbacena, ele coordenava, como um maestro, os diversos Departamentos das entidades, desde o Jurídico - sua menina dos olhos - até o serviço de limpeza. Sempre com uma palavra de estímulo e de reconhecimento a seus funcionários. Na Confederação, em Brasília, defendia as posições da Federação e dos Sindicatos de Minas, sempre afável, sempre falando baixo, mas sempre intransigente e firme na defesa de suas posições.

Seu falecimento deixa, sem dúvida, uma grande lacuna em nossa liderança sindical. Tentaremos nos portar à sua altura, homenageando sua memória com muito trabalho e dedicação. Seu exemplo não será esquecido e, tanto quanto possível, será seguido por todos que têm a árdua missão de sucedê-lo.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana, através de seu presidente, deseja ao novo presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Congêneres do Estado de Minas Gerais, Levi Fernandes Pinto, discernimento e sucesso à frente dessa conceituada, combativa e respeitada entidade.

Março/2003