Chega de exploração

Representando os comerciários de Belo Horizonte e Região Metropolitana, participamos, no último dia 29 de julho, em Brasília, do Fórum Nacional do Trabalho, que reuniu representantes de mais de 300 sindicatos de todo o País. Neste encontro, ao qual também esteve presente o presidente Lula, tivemos uma amostra do quanto será difícil a luta que agora se apresenta, na defesa da manutenção dos direitos dos trabalhadores(as) brasileiros(as) e, acima de tudo, para mantermos nosso movimento sindical forte e atuante.

Em seu discurso, o presidente Lula fez críticas ao sindicalismo e, de certa forma, acenou com a flexibilização das leis trabalhistas, o que não podemos admitir. Por outro lado, um ponto positivo foi que o governo abriu espaço para que as entidades sindicais, de maneira geral, discutissem as mudanças, dando provas da intenção de que realmente as reformas Trabalhista e Sindical sejam resultado de um amplo debate. E, diante desta abertura ao diálogo, nossas expectativas são de que os resultados da discussão realmente venham de encontro aos anseios da categoria trabalhadora.

Assim, ainda que o presidente Lula direcione “farpas” ao movimento sindical, nós, do Sindicato dos Empregados do Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SEC), permanecemos firmes na disposição de lutar com todas as forças pela preservação da unicidade sindical e por um modelo de representação dos trabalhadores que possibilite a sobrevivência e fortalecimento das entidades de classe.

Nossa postura tem como motivação o fato de que, conforme as mudanças a serem propostas, grande parte dos sindicatos pode ter sua existência comprometida. O SEC, por exemplo, possui 240 funcionários e uma estrutura que prima pela qualidade de atendimento e dos serviços oferecidos à categoria. Assim, não aceitará alterações no modelo sindical que possam vir comprometer este trabalho. 

Por tudo isso, fazemos aqui um alerta: se as reformas Sindical e Trabalhista não forem fruto de uma ampla discussão e efetivamente levarem em conta os interesses da classe trabalhadora, aí sim, o patrão estará “com a faca e o queijo na mão”. Ou seja, enquanto o patrão se fortalece, os sindicatos e conseqüentemente o trabalhadores(as) se enfraquecem. Afinal, sem estrutura para atuar, o Sindicato ficará impossibilitado de lutar pelos direitos dos trabalhadores(as).

E que fique claro que nossa luta não é contra o governo, mas sim em prol do fortalecimento do movimento sindical. Posição esta que, vale ressaltar, não é apenas dos sindicatos, mas também das centrais, federações e confederações, que são as grandes representantes dos trabalhadores(as) brasileiros(as).

Neste contexto nacional, se insere também nossa grande bandeira, que é a luta contra a abertura do comércio aos domingos. Permanecemos empenhados em acabar com esta exploração que massacra cerca de dez milhões de trabalhadores(as) em todo o Brasil. Mesmo porque, todas as pesquisas, inclusive as realizadas pelos patrões, mostram que esta medida absurda não representou qualquer crescimento na oferta de postos de trabalho no comércio. Muito pelo contrário, apenas submeteu os(as) comerciários(as) a uma carga horária excessiva. Nossos(as) companheiros(as) estão perdendo o convívio com suas famílias e chegam a adoecer. É, na verdade, um rolo compressor imposto pelos grandes grupos empresariais que têm  capital estrangeiro.

Por tudo isso, companheiros(as) comerciários(as), esteja certo de que o seu Sindicato, na pessoa do presidente e com a atuação de toda a diretoria, estará empenhado em dar uma basta a esta situação.

Chega! Não agüentamos mais exploração!

Agosto/2003