SEC otimista, apesar das incertezas

Incerteza é a palavra-chave para o quadro econômico mundial. Após os atentados às cidades de Washington e Nova Iorque e o contra-ataque dos EUA ao Afeganistão, o mundo vive em estado de apreensão. A agonia não é somente pela retaliação ao Afeganistão e a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, mas também pelo impacto dos atentados na ordem global.

No Brasil, assim como nos Estados Unidos e em todo mundo, já se percebia uma desaceleração da economia. Segundo os economistas Márcio Lana, da Federação do Comércio, e Maria de Fátima Guerra, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos), esse quadro já existia em função do racionamento de energia e a escalada dos juros de 15,25% para 19%.

A alta dos juros penalizou o comércio porque o setor depende de financiamento para aquecimento das vendas. Gerou um aumento dos preços e, conseqüentemente, a retração do consumo. Comprometeu, assim, uma importante fonte de geração de empregos, muitas vezes reforçada pela contratação temporária, principalmente na época de fim de ano.

Os atentados só vieram potencializar essa recessão, uma vez que já têm reflexos na queda do PIB – Produto Interno Bruto e na capacidade de consumo da população.

 Natal magro

Com o ataque ao câmbio, o modelo de proteção adotado pelo governo para freiar a inflação pode gerar a fuga de capital e decretar aumentos ainda maiores dos juros. Esse quadro, sem dúvida, terá impacto direto no comércio, pois, com os juros elevados, o consumidor estará mais resistente à compra.

Dessa forma, já se prevê um Natal mais magro e somente as contratações de extrema necessidade serão feitas. Maria de Fátima e Márcio Lana são unânimes, ao  fazer previsões para o final do ano: a taxa de desemprego deve crescer, mas o cenário ainda é obscuro para se traçar uma estratégia.

“Espero que a análise não se confirme. Porém, recessão significa desemprego”,  afirma Maria de Fátima. Ela aponta a indústria como a área que sofrerá o impacto mais visível na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Para Lana, “o comércio também será afetado, em especial no que diz respeito à criação de novos postos de trabalho e aos pequenos empreendimentos”. Ele também prevê que as vendas a prazo e no crediário vão diminuir, principalmente devido à dificuldade de se conseguir crédito. No entanto, demonstrando otimismo, acredita que, em algum tempo, o quadro deverá se estabilizar.

 Reação natural

Apesar desses prognósticos, o diretor do SEC, Milton Mathias, ainda acredita em uma reação natural do comércio, principalmente no período do Natal. Ele avalia que, por força da tradição cultural e religiosa, o povo brasileiro, mais uma vez contrariará as previsões e sairá às compras para as festas de fim de ano.

“Já tivemos, em outros anos, situações desfavoráveis da economia, com estimativas de quedas significativas nas vendas. Mas não foi o que aconteceu. O comércio acabou reagindo e os resultados foram surpreendentes. Esperamos que, agora, também seja assim”, torce o diretor.

Outubro/2001