Hora de participação e mudança
O ano de 2003 começa com uma previsão nada animadora: ao que tudo indica, a inflação deve continuar a corroer os salários dos trabalhadores brasileiros nestes primeiros quatro meses. Esta é a avaliação de economistas, baseada no Índice de Preços ao Consumidor Restrito IPCR, que mede o custo de vida de famílias com renda de 1 a 8 salários mínimos. Enquanto os sindicatos e as centrais sindicais partem em defesa dos trabalhadores e em busca de reajustes salariais que mantenham o poder de compra dos salários, quero enfatizar a todos os companheiros a importância do sindicato.
Através da união e conscientização sindical podemos, não só melhorar o poder de compra de nossos salários, como ir bem mais além, conseguindo melhorias das condições de trabalho e benefícios extensivos a nossos dependentes. Tudo pode ser melhorado com a participação e o empenho dos trabalhadores.
Estamos todos acompanhando as discussões sobre as Reformas Trabalhistas e da Previdência que afetam todos os trabalhadores do País. Todas essas distorções sociais, trabalhistas e tributárias começam a modificar. O País já não consegue conviver com os efeitos perversos gerados pelo sistema em vigor, que criou um déficit orçamentário gigantesco, o desemprego e a exclusão social.
O País convive com um sistema
previdenciário injusto. Estabelece um regime para a iniciativa privada e outro para o
servidor público. Enquanto a aposentadoria média recebida por um trabalhador aposentado
no setor privado é de R$ 362, no setor público é, em média, de R$ 2.171. A disparidade
entre os valores pagos aos aposentados do setor privado e do setor público mostra que a
reforma da Previdência não pode ser mais adiada. Essa disparidade provoca reflexos
diretos sobre a economia nacional impedindo que o País retome efetivamente o caminho do
crescimento. Entretanto, para que esse desenvolvimento se concretize não basta só
estabelecer o equilíbrio do regime previdenciário. São necessárias medidas
administrativas como ações de combate à sonegação, fraude e o aumento da
fiscalização.
Para discutir essas e outras
questões, o SEC está participando do Fórum permanente da Reforma da Previdência,
formado por diversas entidades sindicais e da sociedade civil em geral.
E a participação do trabalhador, nesse momento, através dos sindicatos e das centrais sindicais, é de extrema importância. Através dessa participação, conseguimos, recentemente, uma importante conquista que foi o arquivamento das alterações do Artigo 618 da CLT, que acabava com conquistas históricas dos trabalhadores. A participação dos trabalhadores junto ao sindicato e o estabelecimento de diálogo político com os demais setores organizados da sociedade civil, certamente, resultarão em mudanças nas relações de trabalho. Mudanças essas que, converterão em melhor distribuição de renda e conseqüente melhoria na qualidade de vida do trabalhador.
O movimento sindical é um dos mais importantes e organizados da sociedade brasileira. O sindicato dos Comerciários tem papel relevante nesse contexto, como entidade que há 78 anos luta e defende os direitos do trabalhador comerciário.
Quero convocar a todos os companheiros e companheiras a participarem dessa transformação que está para acontecer no País. Vamos participar do Sindicato, e junto a ele, estabelecer um canal de comunicação que nos permita dialogar e participar, de fato, das decisões. Conto com a participação de cada um.
Fevereiro/2003 |