“Carta de Belo Horizonte”

02/11/2015

Documento contendo as reivindicações dos comerciários brasileiros será entregue à presidente Dilma Rousseff. Dirigentes sindicais comerciários da União Geral dos Trabalhadores (UGT), reunidos na Plenária Nacional no Dayrell Hotel, aprovam nesta sexta-feira (31/10), a “Carta de Belo Horizonte”, contendo as reivindicações da categoria, que será entregue à presidente Dilma Rousseff, em Brasília, na próxima quarta-feira (05/11). 

A partir da aprovação da Lei 12.790/13, que regulamentou o exercício da profissão de comerciário, a UGT avalia que o momento agora é de lutar pela valorização profissional dos comerciários. A categoria é considerada uma das maiores do país, empregando mais de 12 milhões de trabalhadores, na sua maioria funcionários de micro e pequenas empresas, na faixa de até 20 empregados.

“Os comerciários de todo o Brasil estão unidos e mobilizados em torno de questões necessárias para a valorização da categoria. A regulamentação da profissão foi uma conquista, mas não é suficiente, por isso a elaboração desta Carta de Belo Horizonte”, afirmou o presidente da UGT Nacional, Ricardo Patah.

Para o Membro da Executiva Nacional da Central e presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SECBHRM), José Cloves Rodrigues, a Plenária é fundamental para definir algumas questões. “Precisamos lutar pelos desafios da nossa categoria. Precisamos instituir o Piso Nacional e definir a jornada e direitos referentes ao trabalho aos sábados, domingos e feriados. Só assim seremos valorizados de fato.”

Programação da Plenária

A Plenária Nacional da UGT foi aberta oficialmente nessa quinta-feira (30/10), em Belo Horizonte. A mesa de abertura, presidida por Canindé Pegado, secretário Geral da UGT, contou com a presença de José Cloves Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana, Márcio Fatel, presidente da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do estado da Bahia e secretário do Trabalhador no Setor de Comércio da UGT, Cleber Paiva, Federação dos Comerciários do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Lourenço Ferreira do Prado, vice - presidente da UGT nacional, Valmir de Almeida, da Federação dos Comerciários do Norte e Nordeste, além dos presidentes e representantes das estaduais da UGT: Minas Gerais, deputado Ademir Camilo, Pará, deputado José Francisco, Espírito Santo, Ari George, Santa Catarina, Waldemar Schulz (Mazinho), Goiás, Jacira Carvalho, Rondônia, Francisco Lima, Ceará, Carlos Lindolfo, Rio de Janeiro, Sérgio Luiz e Piauí, Celso Henrique.

O evento está concorrido, tem representatividade das diversas regiões do país e todos falaram da necessidade das discussões em torno das questões pertinentes aos comerciários de todo o Brasil. Na oportunidade, foi feito um minuto de silêncio em memória do companheiro José Ribeiro de Paula Coelho, diretor do SECBHRM.

Dia do Comerciário

Também foi lembrado, durante a cerimônia de abertura, o Dia dos Comerciários. Em alguns estados a data é celebrada no dia 30 e, em outros, 31 de outubro. Apesar de ser uma das mais antigas profissões do mundo, a avaliação do presidente da UGT Nacional, Ricardo Patah, é que não se tem muito a comemorar.

O presidente do SECBHRM, José Cloves Rodrigues avalia a data como importante para a categoria, mas afirma ser momento para refletir sobre as conquistas e os muitos desafios que se põem diuturnamente à frente da classe trabalhadora.

 

Carta de Belo Horizonte

Os comerciários brasileiros, filiados a União Geral dos Trabalhadores (UGT) reunidos nos dias 30 e 31.10.2014, em Belo Horizonte, Minas Gerais, durante a PLENÁRIA DOS DIRIGENTES SINDICAIS COMERCIÁRIOS, após amplo debates e avaliação dos temas de interesse dos comerciários brasileiros destacam o seguinte :

CONSIDERANDO que a regulamentação da profissão dos 12 milhões de comerciários (a) brasileiros assinada pela presidenta Dilma Rousseff em 15 de março de 2013, ainda enfrenta muita resistência do setor empresarial, que se nega em reconhecer a categoria anotando adequadamente o registro na Carteira profissional e o respeito a jornada de trabalho;

CONSIDERANDO que a atual legislação, baseada na MP no 1.539, convertida na Lei no 10.101, que tornou o trabalho aos domingos um dia normal como todos os demais da semana, fazendo com que a jornada de trabalho dos comerciários ultrapassasse em muitos Estados e Municípios mais de 51 horas por semana.

CONSIDERANDO que as Centrais Sindicais que, embora não integrem a estrutura sindical vigente, podem e devem exercer o papel de discutir e propor os encaminhamentos sobre as grandes questões do movimento sindical, como Reajuste da Tabela do Imposto de Renda, Salário Mínimo, e Fim do Fator Previdenciário, além disso, negociar e representarem as categorias profissionais cujos sindicatos sejam filiadas a Central;

CONSIDERANDO que é de suma importância a abertura de discussão em torno da união dos sindicatos com o objetivo de desenvolver negociações visando a celebração de Acordos Nacionais com Grandes Redes de Varejo e Atacado que operam no território nacional, buscando estabelecer uma pauta única que atenda os interesses dos trabalhadores comerciários;

RESOLVEM recomendar à União Geral dos Trabalhadores (UGT), central que reúne o maior número de Sindicatos os Comerciários no Brasil,  a:

1- Desenvolver ações junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentando denúncias contra as empresas que desrespeitam os direitos dos trabalhadores comerciários e que também não vêem aplicando as normas contidas na Lei Nº 12.790 que regulamentou a profissão do comerciário.

2- Apresentar denúncia junto ao Conselho Nacional do Ministério Público do Trabalho CNMPT, contra atitudes adotadas por alguns Procuradores do Ministério Público do Trabalho que estão atentando contra a Liberdade Sindical e o direito de os Sindicatos serem livremente administrados, de acordo com os mandatos outorgados pelos integrantes das Categorias Profissionais; perante o Comitê de Liberdade Sindical, da OIT - Organização Internacional do Trabalho, em Genebra/Suíça;

3-DESENVOLVER o maior esforço coletivo possível, no sentido de mobilização geral dos trabalhadores comerciários, com o objetivo de serem conseguidas mais e melhores conquistas, principalmente com a implantação de um Piso Salarial Nacional, a exemplo do que já ocorre com os Bancários.

4-ORIENTAR o movimento sindical, em nível nacional, no sentido de cobrar nos seus Estados e Municípios, dos vereadores, Deputados e senadores a apresentação de projetos de Lei que humanize o trabalho do comerciário, principalmente no que diz respeito ao labor aos domingos e feriado.

A)  Desenvolver ações no combate ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

B)   Orientar as UGTs Estaduais  no sentido de cobrar das Superintendências Regionais do MTE uma forte fiscalização nas empresas para que seja cumprida a legislação obrigando a efetivação do registro profissional dos comerciários de acordo com a legislação que regulamentou a categoria.

C)   Exigir que o MTE passe a exercer com mais rigor seu papel fiscalizatório no sentido de combater a precarização e a informalidade no Comércio que, segundo o Dieese chega, em algumas regiões do País, a 20% da base dos trabalhadores.

D)  Que a UGT-Nacional promova ações junto ao Sesc e Senac no sentido de ampliar as ações dessas entidades nas áreas social e de qualificação profissional, sem ônus para o trabalhador bem seus dependentes.

Belo Horizonte,31 de Outubro de 2014