Dívida no cartão de crédito cresce e calote bate recorde

09/02/2015

"Nas situações em que a pessoa não consegue mais pagar o rotativo nem buscar um crédito mais barato, a opção é parar de pagar o cartão e negociar com o banco", afirma Miguel Oliveira, diretor de pesquisas da Anefac (Associação dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

As dívidas no rotativo do cartão de crédito cresceram 17% no ano passado e alcançaram o valor inédito de R$ 29,8 bilhões. Essa foi a linha de financiamento que mais cresceu em termos de estoque, entre aquelas destinadas ao consumo.

O uso mais frequente desse crédito foi acompanhado pelo aumento da inadimplência, que atingiu patamar recorde de 40% em dezembro.

O crédito rotativo no cartão inclui o financiamento de parte do valor da fatura e os saques na função crédito. Essas operações representaram cerca de um terço do valor total movimentado no ano passado com cartões de crédito.

Essa modalidade é a que apresenta hoje maior nível de calote e taxa de juros no caso das pessoas físicas. Dados da Anefac (associação dos executivos de finanças) mostram que a taxa de juros nessa modalidade estava em 258% ao ano no fim de 2014.

Os dados superam, inclusive, os do cheque especial, em termos de estoque (R$ 21 bilhões), custo (200% ao ano) e inadimplência (9,5%).

Em relação às novas concessões, a procura pelo rotativo cresceu 15,3% em 2014. Essa variação é o triplo, por exemplo, do aumento nas concessões do cheque especial no mesmo período.

Segundo especialistas, o maior problema do rotativo é quando a pessoa entra por não conseguir pagar sequer o valor mínimo obrigatório da fatura. Desde junho de 2011, é necessário quitar mensalmente 15% do saldo devedor.

Alguns bancos oferecem juros menores para quem faz o pagamento mínimo e negocia o parcelamento do valor restante. Muitas vezes, no entanto, os juros desse parcelamento já levam o consumidor a entrar em inadimplência.

Nesse caso, são cobrados ainda multa e juros moratórios, o que encarece a dívida em mais 3% ao mês. Em todos os casos, também há incidência de imposto (IOF).

O consumidor também precisa estar atento às regras do rotativo, que variam de acordo com o cartão. Alguns bancos cobram juros sobre o valor financiado e também sobre cada uma das compras.

Nesse caso, é aconselhável deixar de usar o cartão até quitar a dívida original.

Miguel de Oliveira, diretor da Anefac, diz que é preciso evitar a entrada no rotativo, buscando empréstimos mais baratos, como crédito pessoal ou consignado, para pagar toda a fatura. Outra opção, diz, "é parar de pagar o cartão e negociar com o banco."

Os bancos costumam oferecer o parcelamento em até dois anos com juros menores.

Fonte: Site Folha de S.Paulo