Eleições municipais

21/10/2016

As eleições municipais de 2016 ocorreram em meio a um ambiente de enorme descrédito da velha política e da crescente insatisfação de toda a sociedade com a maioria absoluta dos políticos de todas as legendas. Descrédito que se avolumou nos últimos anos, o que demonstra o resultado das urnas. Em dez capitais o número de abstenções, votos nulos ou em branco superaram os números dos candidatos mais votados.

Em junho de 2013, a explosão de insatisfação popular tomou as ruas e fez ecoar em todo o país a manifestação de que a população já não aceita mais a velha política, o caos e degradação dos serviços públicos, a inflação e consequências da crise sobre a maioria dos cidadãos.

Tanto o então governo de Dilma Rousseff quanto os partidos da oposição tentaram utilizar a insatisfação popular ao seu favor. Mas nenhum representante da velha política conseguiu surfar nas manifestações populares. A “voz das ruas” colocou a velha política em risco e mesmo com a queda de Dilma e Eduardo Cunha e a posse de Temer, a impressão geral é de que para a população, de um modo geral, nada ou muito pouco mudou.

O governo Temer, que criticava o governo Dilma, já aponta para a continuação e aprofundamento das mesmas políticas dos governos anteriores: ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários, privatizações, etc.

O povo está farto de tudo isso e quer educação, saúde, lazer, transporte de qualidade, segurança para transitar pelas ruas, quer qualidade de vida, salário e condições de trabalho dignos, quer sentir-se respeitado.

Reparem que a maioria dos candidatos na última eleição municipal retirou as siglas dos seus partidos de suas propagandas, não há mais discurso político. Os debates e o “horário político” são um circo de horrores e o povo reagiu contra tudo isso negando-se a creditar seus votos nestes que se apresentam como seus “representantes”.

A “voz das ruas” deixou a velha política atordoada e revelou como ela está obsoleta. E despertou grande parte de nosso povo para questões políticas verdadeiras, que apontam para a necessidade de uma mudança profunda em nosso país.

O povo “tomou gosto” por discutir os problemas do país, não aceita os velhos discursos e promessas. Percebeu que é preciso arregaçar as mangas e ir para as ruas para mudar a situação.

Como bem cantou o poeta: “Nada será como antes”

Fonte: Bic 466 - Outubro/2016