Em defesa da Previdência

01/07/2016

Diante da grave situação da economia nacional, vemos com preocupação a eminência da adoção de medidas anunciadas pelo governo que tocam diretamente a Previdência Social.

Quando se fala de reforma, como de uma casa, por exemplo, se pensa em melhorias, ampliação, embelezamento. Mas nos últimos anos, quando os governos anunciaram “reformas”, o que recaiu diretamente sobre os trabalhadores foi a retirada de direitos históricos, pioramento das condições de vida e trabalho, perda do poder aquisitivo, arrocho, aumento da data limite para a aposentadoria, etc.

Das inúmeras reuniões e debates no meio sindical, congressos com especialistas em direitos previdenciários, concluímos que não é correto se apoiar na justificativa de “déficit previdenciário” para cobrar dos trabalhadores contribuintes essa conta.

Os governos anteriores prometeram não tocar nos direitos trabalhistas. Pediram “voto de confiança” dos trabalhadores e movimento sindical. Mas promessas de campanha tem sido aplicados ao oposto na prática. Como confiar em promessas como essas?

Toda vez que se fala em crise, os governos falam em tomar medidas “duras”, aplicar “remédios amargos”. Mas essas medidas são aplicadas de forma mais pesada sobre as classes trabalhadoras que produzem as riquezas e são pilares da economia nacional.

Os contribuintes da Previdência Social depositaram no INSS a possibilidade de se aposentarem com dignidade e o que ocorre na verdade é que: ou vivem em uma situação de penúria, endividados, ou têm que continuar trabalhando após suas aposentadorias, mesmo sem condições físicas para isso, porque a aposentadoria não supre o mínimo existencial para esses trabalhadores e suas famílias.

O Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região desenvolve um grande trabalho social buscando estabelecer e ampliar uma série de benefícios como tratamento médico, restaurante, tratamento odontológico, assistência jurídica, lazer, cuidados com a maternidade das trabalhadoras no comércio, etc. Esses benefícios são iniciativas do sindicato que entendemos como nosso dever, mas na prática também são formas de sanar e suprir o que o Estado e os governos deveriam promover para os trabalhadores mas não têm feito ou o fazem de forma deficitária.

Isso precisa ser mudado através de uma discussão com toda a sociedade civil, com o movimento sindical, advogados, etc., é um debate que interfere não só nos direitos de aposentadoria e benefícios sociais, mas no futuro de nosso país.

Somos mais de 12 milhões de comerciários em todo o país. Somos uma grande categoria e somados a nossas famílias somos quase 50 milhões de brasileiros, consumidores e trabalhadores responsáveis por importante parcela da economia nacional.

Com a responsabilidade de quem representa essa grande categoria, fazemos um chamamento para a necessidade de se estender essa discussão a toda a sociedade. O que está em discussão são direitos históricos dos trabalhadores que interferem no presente e no futuro. É preciso uma grande mobilização e preparar uma grande luta em defesa da Previdência.

Fonte: Bic 465 - Julho /2016