Mercado consolida previsão de 9% para a inflação em 2015

30/06/2015

O mercado voltou a elevar as expectativas para a inflação e para a retração da economia em 2015. Além disso, economistas também ajustaram a previsão para a alta dos juros em 2015: de 14,25% ao ano na semana passada para 14,50% esta semana. Já na próxima reunião do Copom, nos dias 28 e 29 de julho, a Selic deve subir para 14,25%, segundo as projeçõesdivulgadas no Relatório de Mercado Focus.

Esse movimento não seria o último. Em setembro, o BC faria mais um ajuste, de 0,25 ponto porcentual, e daria fim ao atual ciclo de aperto monetário. Em janeiro de 2016 o Copom passaria a reduzir a taxa, com uma primeira correção de 0,25 ponto.

Depois dos resultados surpreendentes do IPCA de maio e do IPCA-15 de junho, ambos acima das estimativas, analistas consultados pelo Banco Central para o Relatório de Mercado Focus elevaram mais uma vez suas previsões para o índice. Pela 11ª rodada consecutiva, a estimativa para o indicador deste ano avançou de 8,97% da semana anterior para 9,00% agora. Há um mês, essa projeção estava em 8,39%. A projeção do Focus para 2015 é também a mesma do BC no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI) que trouxe 9% de previsão no cenário de referência e 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Para o fim de 2016, que é o foco de atuação do BC neste momento, a mediana das projeções para o IPCA se mantém inalterada há seis semanas consecutivas em 5,50% - número superior que as previsões da autoridade monetária mais recentes: 4,8% no cenário de referência e 5,1% no de mercado.

No Top 5, grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, também não houve refresco nas projeções para a inflação. Para este ano, a mediana das estimativas de 8,83% para 8,92%. Está maior do que a taxa aguardada há um mês, de 8,79%. No caso de 2016, houve estabilidade da previsão em 5,21%, menor do que a mediana apontada na pesquisa geral, de 5,50%. Quatro edições atrás, estava em 6,00%.

PIB. Com mais uma semana de ajustes negativos nas planilhas, analistas passaram a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,49%. A projeção está pior do que a taxa de 1,45% calculada na semana passada - essa foi a sexta piora consecutiva.. Há quatro semanas, a mediana era de -1,27%. Para 2016, a mediana das previsões passou de 0,70% para 0,50%. Um mês antes, estava em 1,00%.

O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No RTI, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.

A projeção para a produção industrial passou de queda de 3,65% em 2015 para baixa de 4,00%. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%. Já para 2016, a mediana das estimativas seguem estáveis em 1,50%.

Juros

Depois de algumas semanas sem alterações, o Relatório de Mercado Focus revelou a mudança já sinalizada individualmente pelos economistas para o comportamento da Selic este ano. A mediana das projeções aponta que a taxa básica de juros vai encerrar 2015 em 14,50% ao ano ante taxa de 14,25% vista até a semana passada. Há um mês, a estimativa observada no boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 14,00% ao ano.

A alteração reflete também o tom mais duro adotado pelo BC no último RTI, quando o diretor de Política Econômica da instituição, Luiz Awazu Pereira, afirmou que o aperto na política monetária, até o momento, ainda não foi suficiente.

Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. Com a mudança, a taxa média para 2015 passou de 13,63% ao ano para 13,72% aa. Quatro semanas antes, essa taxa média estava em 13,50% ao ano. No caso do fim de 2016, a mediana das projeções permaneceu em 12,00% ao ano pela quinta semana seguida.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o Top 5 no médio prazo, não houve mudança para 2015: a Selic vai encerrar em 14,25% ao ano. Um mês antes eles projetavam 13,75%. Para 2016, a mediana subiu de 11,56% ao ano para 11,75% aa. Quatro semanas atrás a expectativa era de 12%.

Fonte: Site Estadão