O país do crescimento... da inflação

24/05/2018

O governo discursa dizendo de “colocar o país nos trilhos”, “otimismo”, “queda da inflação”.

Então não tem inflação?

A recente crise que “veio a tona” com o movimento grevista nacional dos caminhoneiros só escancarou o que já é notado pelos brasileiros há muito tempo: Nas bombas de combustível de Belo Horizonte, somente na terceira semana desse mês de maio, foram três aumentos. A média de preço é R$ 4,50 para a gasolina (e não para de subir).

Os preços no sacolão já há muito tempo assustam os brasileiros, itens que fazem parte da alimentação diária dos brasileiros, como tomate e cebola e frutas dispararam. A maioria dos brasileiros não se alimenta há muito tempo segundo tabelas nutricionais, mas segundo as ofertas e possibilidades de pagar pela carne a preços absurdos, pelo café de péssima qualidade (já que o melhor café do brasil é destinado a exportação) e caro.

As estatísticas dizem que o preço da cesta básica diminuiu, mas os trabalhadores não sentem diminuição no bolso. Em Belo Horizonte, por exemplo, em abril, segundo o DIEESE, ela custava R$ 376,58. E esta cesta básica “oficial”, todos sabemos, que além de ser muito deficiente, não alimenta uma família por muitos dias, quiçá durante um mês.

O preço dos transportes não para de subir. A tarifa dos ônibus metropolitanos em Belo Horizonte (os azuis, mais utilizados), é R$ 4,05. Os que ligam o centro da cidade aos bairros mais distantes e cidades vizinhas é muito mais alto, tornando inviável, para não dizer impossível, tanto para trabalhadores como para empregadores arcar com estes altos custos. Isso prejudica de forma brutal a economia.

A tarifa do metrô, serviço ainda mais deficiente que os ônibus na capital mineira, foi reajustada em 89%, passando de R 1,80 para R$ 3,40, valor que só não está sendo aplicado de maneira definitiva pois o caso está em litígio.

Tarifas de luz, gás, planos de saúde, remédios, educação, todos são reajustados de forma abusiva e constante, enquanto o salário dos trabalhadores é achatado e seus direitos são atacados pelas “reformas” trabalhista e a da previdência em curso.

Ainda segundo o DIEESE, o salário mínimo necessário para um trabalhador deveria ser, em abril de 2018, R$ 3.696,95, e não os absurdos R$ 954,00 de hoje.

Para o país crescer, ele precisa em primeiro lugar investir e valorizar os trabalhadores que se empenham dia e noite para manter e sustentar a economia. Que com crise ou sem crise fazem do seu trabalho a maior força de nosso país, produzem alimento, roupas, remédios e até a gasolina, que quando chegam a população estão a preços tão absurdos que quem produz de fato quase não pode comprar.

Estes são dados importantes e os trabalhadores devem conhece-los e saber defender de forma irredutível seus direitos e sua organização.

Não podemos aceitar nem devemos permitir que governo e patrões retirem da população para que os trabalhadores paguem pela crise enquanto os bancos lucram bilhões, a corrupção desvia bilhões e os ricos ficam mais ricos.

Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região