Situação Nacional: Por uma Nova Política

01/07/2016

As declarações de voto da maioria absoluta dos ocupantes da Câmara dos Deputados que fizeram avançar o processo de impeachment se tornaram chacota, piada de mau gosto. Talvez envergonhados com a repercussão negativa, os senadores preferiram ser mais discretos, mas sacramentaram o afastamento de Dilma Rousseff.

Em primeiro lugar, é importante afirmar com convicção que aquilo que vimos no Congresso Nacional não representa a “voz das ruas”. A maior parte é fruto de décadas de permanência de uma casta no poder em nosso país, que governa para os interesses de uma minoria, em detrimento dos interesses dos trabalhadores e da população de um modo  geral. Seus discursos, em nome de seus currais eleitorais, de “suas famílias”, nada dizem aos interesses do povo.

Um lado fala de “golpe”. Mas as leis utilizadas para tal foram as mesmas que os de antes utilizaram para gerir durante 14 anos o país, votando medidas contra os direitos previdenciários dos trabalhadores, gastando bilhões dos cofres públicos com a Copa e as Olimpíadas enquanto a saúde e a educação foram seriamente precarizadas, etc.

Outro lado diz “combater a corrupção”, mas está repleto de figuras que acumulam processos e mais processos de corrupção. E agora, no poder, já anunciam e se preparam para aplicar o mesmo pacote de “ajustes fiscais”.

O problema é que a grande maioria, quando fala de cortes e ajustes, diz que o povo é quem irá pagar o preço da crise. Até quando o povo vai pagar?

Precisamos de uma nova política. Uma política que parta das bases da sociedade, dos trabalhadores organizados, das associações comunitárias, que ouça os interesses dos trabalhadores, daqueles que produzem e realmente contribuem para os interesses da Nação. Precisamos de uma nova política que reerga a economia nacional e não dê bilhões para empreiteiras e bancos. Que valorize os trabalhadores do campo e que faça os preços nos supermercados corresponderem aos bolsos da população neste país tão rico, que produz de tudo, mas que tem as taxas de juros mais elevadas do mundo.

Precisamos de um país em que os trabalhadores e trabalhadoras tenham salário justo, escola pública de qualidade para seus filhos, saúde, transporte, lazer, e a certeza de que irão se aposentar com dignidade e direitos.

Não podemos aceitar essa falsa divisão que tentam alimentar, como se o Brasil estivesse dividido entre os que defendem um ou outro lado dessa disputa.

Os trabalhadores sim, precisam se unir pois nossos direitos estão em sério risco. Uma das primeiras medidas do “novo” governo foi anunciar um novo pacote de “reforma” da Previdência.

Para um país crescer, ele deve valorizar os que produzem e não cortar os seus direitos.

Fonte: Bic 465 - Julho/2016