Palavra do Presidente

Preparar para as lutas e mobilizar

para defender as conquistas

Os últimos anos têm sido marcados por sucessivos ataques a direitos históricos dos trabalhadores. A CLT foi rudemente golpeada com a “reforma” trabalhista e uma “reforma” sindical inconstitucional foi imposta de forma velada com o objetivo de minar a resistência dos trabalhadores e atacar sua organização.

A crise que abala as estruturas de nosso país tem se mostrado cada vez mais profunda. É uma crise econômica cujos reflexos mais graves se abatem sobre os trabalhadores e está escancarada no completo colapso dos serviços públicos de saúde, educação, transporte, entre outros; é uma crise política e moral que afetou todos os escalões e instituições do Estado e que infelicita nosso povo com as mais vergonhosas práticas de corrupção em um jogo em que os corruptos se acusam em briga desesperada pelo poder.

Sob a bandeira da crise, governos e patrões atacaram impiedosamente conquistas dos trabalhadores brasileiros que foram obtidas ao longo de décadas de lutas. A “reforma” trabalhista aprovada sob o governo Temer e com o concurso da maioria do Congresso Nacional ceifou direitos como a regulamentação de jornadas de trabalho, impôs a terceirização (inclusive nas atividades-fim), determinou medidas inaceitáveis como a alocação de grávidas em atividades insalubres, no comércio determinou medidas como a obrigatoriedade da abertura dos supermercados aos domingos imputando a esta o caráter de atividade “essencial”. Cobram dos trabalhadores o preço da ganância, da corrupção.

A “reforma” da previdência em pauta e em curso é mais um crime premeditado, que há muitos anos os governantes tentam realizar e não o fizeram até hoje devido a denúncia e resistência do movimento sindical e dos movimentos populares. Mas este assunto volta a mesa como pauta prioritária do futuro governo eleito.

A população está cansada de ser desrespeitada, de ser condenada às filas em hospitais superlotados e sem a menor estrutura para um atendimento digno, está farta do salário arrochado, do preço dos itens de primeira necessidade que não param de subir,  estamos todos fartos de falsas promessas, de traições. Por isso, é importante uma reflexão e entender o resultado eleitoral. Nessas eleições, os partidos que tradicionalmente presidiram o desrespeito institucional perderam postos que ocupavam há décadas, outros que já têm carreira nas velhas práticas, se apresentando como “anticandidatos” e como “novo”, foram eleitos, muito mais como um gesto de protesto.

As atuais eleições gerais escancararam a gravidade desta crise e a imensa insatisfação da população com toda esta situação. Se antes os políticos enrolavam, os recém-eleitos foram muito diretos afirmando que vão retirar direitos e dizem “que é isso que o povo quer”. "Menos direitos para ter emprego", dizem.

Nós trabalhadores devemos estar preparados para mais ataques. Os inimigos do povo falam abertamente em “cortes de gastos”, falam de privatizar, falam de prioridade na “reforma” da previdência.

Alguns dizem que o Brasil “está dividido”. Sobre os políticos, todos já sabemos: eles se dividem nas eleições mas depois se unem para votar projetos contra os trabalhadores.

Mas os trabalhadores são a força que constrói e move nosso grande país. Somos milhões e milhões. São nossos direitos que estão em jogo. Se houve uma polarização forçada durantes as eleições, agora, mais que nunca devemos estar cada vez mais unidos para defender os direitos e conquistas dos trabalhadores!

Como afirmamos anteriormente, independentemente de quem vencesse as eleições, nossa certeza é que haverá luta. Devemos nos preparar para uma grande batalha, pois a promessa dos recém-eleitos é aprovar uma “reforma” da previdência ainda no primeiro semestre de 2019.

É preciso resistir a aplicação da “reforma” trabalhista e lutar por Convenções Coletivas de Trabalho que defendam e garantam os interesses dos trabalhadores. Lutar em defesa da CLT e da Constituição e denunciar amplamente o seu descumprimento. Não devemos aceitar a “reforma” trabalhista como algo estabelecido e definitivo.

Sobre a previdência, nos últimos anos os governos já implementaram medidas para destruir o direito a aposentadoria do trabalhador. Os índices para os cálculos da idade para aposentadoria e tempo de contribuição são a condenação dos trabalhadores e trabalhadoras a seguirem em seus postos até idades muito avançadas e  seu esgotamento físico e mental; ou os condena a prosseguirem trabalhando de qualquer modo após a sua aposentadoria devido a precariedade e completa impossibilidade de viver com dignidade com os proventos do INSS.

Devemos prosseguir firmes na luta contra a reforma da previdência e levantar um grande movimento nacional para impedir que ela seja votada.

O movimento sindical deve se preparar mais, mobilizar mais. Desenvolver formas de se sustentar junto as bases para enfrentar os ataques do governo. Com persistência e luta, temos convicção de que o movimento sindical será capaz de conduzir a luta dos trabalhadores a novas e maiores conquistas.

Estamos, juntos com a UGT, alertas. Vamos seguir mobilizando e organizando a luta para que os trabalhadores, sobretudo os aposentados e desempregados e o nosso povo de um modo geral sejam respeitados e seus direitos sejam mantidos e ampliados.

José Cloves Rodrigues
Presidente do Sindicato dos  Comerciários de BH e Região
Dezembro/2018