MAIS comerciários ganhando MENORES salários
Pesquisa Anual de Comércio do IBGE, que resume a evolução do setor comercial no Brasil, de 1989 a 1999, constata que o número de empresas e empregados aumentou; enquanto o faturamento dessas empresas e os salários dos comerciários deminuiram. O número de empresas cresceu 44,44%, passando de 719 mil para 1,039 milhão, sendo a maioria pequenas empresas. A média de empregados por empresa caiu de 5,9% para 4,8% em dez anos. Como houve aumento do número de empresas, houve também um crescimento de 800 mil vagas no setor, passando de 4,2 milhões em 89 para 5 milhões em 99.
Segundo a pesquisa, o crescimento baseado em empresas menores teve reflexos negativos na geração de receita e o número de postos de trabalho diminuiu. A receita por empregado caiu 12,44%, passando de R$ 89,2 mil para R$ 78,1 mil, acusando perda de produtividade para o comerciário. Os salários tiveram redução de 8,76%, de R$ 25,1 bilhões em 89 para R$ 22,9 bilhões em 99. De acordo com os cálculos dos técnicos do IBGE, a massa salarial de 1989 dividida pelo número de empregados daquele ano e distribuída em salários mínimos de 1999 daria uma média salarial de 3,42 mínimos por empregado.
Demissões
É bom lembrar que a pesquisa do IBGE reflete dados do país como um todo, sem levar em conta as especificidades regionais. O Departamento de Homologações do Sindicato vem registrando número crescente de demissões. Em agosto de 2000, foram registradas 1.087 demissões de comerciários com mais de um ano de casa. Já em agosto de 2001 esse número pulou para 1.326. Aumento expressivo de demissões pode ser constatado se compararmos as 950 demissões homologadas em setembro de 2000 contras as 1.155 do mesmo período em 2001. Esses dados preocupam a diretoria do sindicato e mobiliza toda a categoria. Um dos pontos de partida da luta contra essa situação foi dado com o projeto de reconhecimento legal da profissão de comerciário no país.
Dezembro/2001 |