Saúde Mental

As rápidas transformações tecnológicas e gerenciais somadas à disputa acirrada no mercado de trabalho, tem aumentado, de forma assustadora, a incidência de estresse e sintomas de sofrimento entre os trabalhadores. Para discutir estas questões e meios de superá-las, o Departamento de Saúde Mental do Sindicato dos Comerciários promoveu, no dia 2 de junho, a palestra Organização de Serviços de Saúde em Instituições, dada pelo psicanalista e professor Luiz C. Brant, mestre em Epidemiologia pela UFMG.

A palestra integra um projeto de vanguarda proposto pelo Departamento de Saúde Mental do Sindicato dos Comerciários que é, através de grupos multidisciplinares de estudo, detectar sintomas de sofrimento, angustias e estresse nos trabalhadores comerciários; suas causas, meios de prevenção e superação. Em princípio, serão pesquisados casos reincidentes, de acordo com a faixa etária e sexo, nos campos de relacionamento profissional e familiar.

A necessidade de atingir metas de vendas, o acúmulo de exigências do patrão e a falta de autonomia do empregado, tem gerado um quadro de nervosismo e de angústia em um grande contingente de trabalhadores, em diversos segmentos sociais.

Segundo o professor Luiz Brant, que é doutorando em Saúde e desenvolve trabalho pela Ensp/Fiocruz, cada empresa ou instituição necessita buscar um acompanhamento para este trabalhador de acordo com sua especificidade, ou seja, identificando os fatores causadores da enfermidade e promovendo meios de superação.

"O trabalho de acompanhamento do trabalhador é feito por uma equipe multidisciplinar, composta de profissionais médicos, psicólogos e psiquiatras, que observa alguns princípios como a capacitação do trabalhador, seu local de trabalho e o conflito vivido por ele. O acompanhamento deve ser feito também com a instituição a qual pertence o trabalhador .

 É fundamental nesse processo, haver interação entre os profissionais de saúde, o trabalhador e a instituição, estabelecendo alianças com os mais diversos níveis de formação dos trabalhadores", assegurou o professor. Para ele, esta estratégia é decisiva para o sucesso do acompanhamento e o início da reconstrução da vida profissional do trabalhador doente.

A palestra contou com a participação de representantes de diversos sindicatos e empresas, interessados no assunto, diretores de base e efetivos e o presidente do SEC, José Alves Paixão.

Junho/2003