Não ao comércio 24 horas na Savassi

Comerciários da Savassi são unânimes: desaprovam a proposta da  CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas, no que diz respeito à abertura do comércio 24 horas na região. O assunto é polêmico e, mais uma vez, volta à tona. A viabilidade da medida é questionada, inclusive  por quem a defende que, diga-se de passagem, são poucos.

A direção da Associação de Lojistas da Savassi informa que  recente pesquisa, feita entre moradores e trabalhadores da região, revela que 95% contestam a medida.

Confira a opinião de alguns comerciários da Savassi e também de empresários da região, que engrossam o coro dos descontentes, quando o assunto é abertura do comércio 24 horas.

 

Maria Vicentina
Acredita não ter demanda para abertura 24 horas do comércio na região da Savassi. Para ela, que trabalha há 9 anos na região, a tradição de funcionamento no comércio local é diurno. À noite, a procura e o carro-chefe da Savassi fica por conta dos bares e restaurantes, um dos segmentos vocacionais de Belo Horizonte. Avalia que a capital mineira não espelha a realidade de grandes centros, onde tal proposta se faz necessária, a exemplo de São Paulo, além de outras cidades turísticas. Avalia que aqui, essa necessidade não se faz premente.

Eliana Ribeiro
Comerciária da região da Savassi há 8 anos, avalia não haver essa necessidade. Remete a inviabilidade ao problema de segurança, que é frágil e deficiente em todas as regiões da cidade e aponta ainda o transporte coletivo como outro ponto dificultador, quando o assunto é comércio 24 horas. Diz que a opção natural da população belo horizontina pelo comércio à noite tem sido os Shoppings, quer pela segurança, como pela facilidade de estacionamento.

Afonsina Maria das Dores
Não é viável, porque a Savassi não tem clientes suficientes para funcionar 24 horas. A proprietária alega que, pelo menos por enquanto, não existe tal demanda. Explica que sua avaliação se baseia na experiência, que tem mostrado que o comércio na região, aos sábados, a partir das 12 horas já entra em ritmo de desaceleração crescente até às 13 horas – horário esse, de fechamento dos estabelecimentos no local. Ou seja, trabalhar 24 horas no atual cenário, sem gerar retorno financeiro, não passa de uma incoerência.

Máriam Delma Silva Cardoso
A proprietária é enfática em dizer que comércio 24 horas não é viável na Savassi. Enumera os problemas: segurança, racionamento e crise econômica brasileira, o que segundo ela, tem gerado retração nas vendas, e, conseqüentemente, redução no faturamento e contenção de gastos. “Não geraria mais emprego tal proposta e sim, poderia sobrecarregar os funcionários hoje já contratados, além dos próprios donos”, conclui.

Setembro/2001