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O juiz do Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região e professor da Faculdade de Direito da UFMG, Antônio Álvares da
Silva, vem defendendo a extinção dos TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho) e do TST
(Tribunal Superior do Trabalho). Ele alega que a Justiça do Trabalho, no Brasil, é
lenta, cara e burocratizada e não atende nem aos interesses dos trabalhadores e nem dos
empregadores.
Defende ainda a criação de órgãos
extrajudiciais de conciliação e arbitragem, também chamados de Núcleos Intersindicais,
que poderiam ser instalados no sindicato ou na empresa. Na opinião do juiz, dentro da
empresa ou do sindicato e próximo do local onde o trabalho foi prestado, com acesso
imediato a documentos e testemunhas, a controvérsia será decidida com muito mais
realidade e segurança. |
| O advogado do SEC, Rafael Sales
Pimenta, considera a idéia intrigante, mas ressalta ser necessário aprofundar mais as
discussões. O que me preocupa é quais seriam as salvaguardas que o empregado teria
com uma possível extinção da justiça do trabalho. Eu temo pelo futuro das relações
de trabalho, afirma. Pimenta
entende que os núcleos têm um papel importante a desempenhar na solução dos conflitos
trabalhistas, entretanto, não se mostra como uma alternativa adequada, no momento. Na
avaliação dele, é preciso haver, antes, um amplo debate junto à sociedade para que ela
possa, inclusive, entender o que é uma conciliação, uma arbitragem. É preciso
amadurecer a discussão, a começar pelos governantes, enfatiza.
O advogado se refere ao recente episódio
envolvendo o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, que se negou a cumprir
decisão do Supremo Tribunal Federal, ordenando o pagamento imediato dos salários dos
professores universitários em greve. Como falar em conciliação em um país em que
o próprio governo descumpre despacho judicial?, questiona.
SEC sai na frente
Em Contagem, já existe o Núcleo
Intersindical do Comércio, instalado em parceria entre o SEC e o sindicato patronal; e
já está sendo negociada a implantação de um outro Núcleo, em Belo Horizonte. De
acordo com o advogado, a iniciativa só deu certo porque os empregadores deixaram a visão
de conflito em troca da visão de conciliação. Sem isso, não se consegue
desenvolver o trabalho, pondera. Pimenta acredita, no entanto, que o mesmo não
acontece em outros sindicatos.
Informa que o Núcleo em Contagem
tem funcionado a contento, atendendo satisfatoriamente as duas partes. Empregado e
empregador são entrevistados por conciliadores treinados, que garantem a defesa dos
direitos na hora da rescisão do contrato de trabalho. |